Philip K. Dick é um autor que surpreende, seus livros são completamente diferentes uns dos outros. Porém, existe algo que os une, que é a forma como ele trata a realidade. Uma dica para entender essa relação do autor com a realidade é perceber que em uma lista de livros distópicos (pois é... a distopia mais uma vez), boa parte dos romances de Philip K. Dick estará lá. O que eu entendo disso é que ele gostava de imaginar caminhos e possibilidades diferentes para a nossa vã existência.
Em O Homem do Castelo Alto, o autor continua brincando, criando realidades paralelas que se fundem e se confundem magistralmente de forma quase imperceptível pro leitor. A linha principal do livro mostra o mundo algum tempo depois de os alemães terem ganhado a Segunda Guerra Mundial. A costa leste do EUA é controlada pela Alemanha nazista e a oeste pelo Japão, enquanto a região central é uma área neutra. Nesse cenário, surge um livro que mostra como seria o mundo se os aliados tivessem vencido a guerra, o qual, obviamente, é proibido pelos nazistas. Como é praxe do cara comum, não soltarei spoilers, a ideia é estimular a leitura do livro... leia pra saber como o autor trabalha a fusão a realidade com a irrealidade, como ele ironiza a imaterialidade da História, sobre a qual só podemos especular e acreditar nos documentos que ficaram, e, principalmente, como ele desenvolve os personagens de forma espetacular. Falando neles, tenho que mencionar que são muito bem construídos, com histórias pessoais que vão se entrelaçando durante o desenvolvimento do romance, o que é receita garantida para entreter e envolver o leitor, que fica sem conseguir largar o livro a cada capítulo.
Enfim, O Homem do Castelo Alto é uma obra prima de Philip K. Dick, é um livro surpreendente que quando o leitor termina fica com cara de otário, literalmente, pensando no que aconteceu, refletindo, tentando entender até cair a ficha e sacar todas as dicas que o autor deixou.
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terça-feira, 26 de abril de 2011
segunda-feira, 10 de maio de 2010
O Homem Duplo - Philip K. Dick
Na descrição do próprio autor: "Este é um romance sobre algumas pessoas que foram punidas excessivamente pelo que fizeram."
O Homem Duplo passa-se em um futuro próximo e, praxe da ficção cientifica, decadente. O abuso de drogas é um problema crônico na sociedade, e, também, praxe, existe uma droga específica, a Substância D (Slow Death - Morte Lenta), que é responsável pela maior parte do vício na população. O protagonista é um agente da polícia infiltrado em uma casa habitada por três junkies, para tentar identificar um traficante. Assim, cada vez mais, ele vai se tornando dependente da droga, o que o leva a assumir uma segunda personalidade.
O autor desenvolve a história a partir dos ciclos de confusão mental e paranóia extremas nos quais os personagens se inserem ao usar a droga, criando diálogos e situações absurdos que vão evidenciando a contínua piora do estado mental dos personagens e do protagonista. A forma de agir da polícia (o Cara Comum não fala 'modus operandi') é muito inusitada, com seu disfarce tecnológico e tudo mais. A conclusão do romance é muito interessante, porém, triste e, talvez, um pouco previsível em alguns aspectos. No entanto, a leitura é bastante interessante, o Cara Comum recomenda.
O Homem Duplo é um romance divertido, interessante, e, ao mesmo tempo, triste, quando mostra a decadência humana e até que ponto uma pessoa pode chegar em busca de prazer momentâneo. A tragédia dos personagens de Dick remonta a uma simbologia católica antiga, o pacto com o demônio. O diabo não mete mais medo, ninguém acredita mais nele. Porém, o aprisionamento irreversível da mente pelas drogas, ou pela própria religião, é real.
O Homem Duplo passa-se em um futuro próximo e, praxe da ficção cientifica, decadente. O abuso de drogas é um problema crônico na sociedade, e, também, praxe, existe uma droga específica, a Substância D (Slow Death - Morte Lenta), que é responsável pela maior parte do vício na população. O protagonista é um agente da polícia infiltrado em uma casa habitada por três junkies, para tentar identificar um traficante. Assim, cada vez mais, ele vai se tornando dependente da droga, o que o leva a assumir uma segunda personalidade.
O autor desenvolve a história a partir dos ciclos de confusão mental e paranóia extremas nos quais os personagens se inserem ao usar a droga, criando diálogos e situações absurdos que vão evidenciando a contínua piora do estado mental dos personagens e do protagonista. A forma de agir da polícia (o Cara Comum não fala 'modus operandi') é muito inusitada, com seu disfarce tecnológico e tudo mais. A conclusão do romance é muito interessante, porém, triste e, talvez, um pouco previsível em alguns aspectos. No entanto, a leitura é bastante interessante, o Cara Comum recomenda.
O Homem Duplo é um romance divertido, interessante, e, ao mesmo tempo, triste, quando mostra a decadência humana e até que ponto uma pessoa pode chegar em busca de prazer momentâneo. A tragédia dos personagens de Dick remonta a uma simbologia católica antiga, o pacto com o demônio. O diabo não mete mais medo, ninguém acredita mais nele. Porém, o aprisionamento irreversível da mente pelas drogas, ou pela própria religião, é real.
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